|
Ele
garante que “uma coisa não tem nada a ver
com a outra”, mas avisa que estará
investigando o que chamou de “indícios de
irregularidades” na gestão, como presidente
da Câmara Municipal, daquele que foi
diplomado em seu lugar.
O vereador
George Luiz de Oliveira (PMN) protocolou,
nesta quarta-feira, requerimento com pedido
de informações sobre processos licitatórios
realizados pelo Legislativo Municipal, de
janeiro de 2005 a dezembro de 2006, quando
Delmar Pimentel era o presidente da Casa.
Contou ter
recebido de um ex-ocupante de cargo de
confiança da Câmara, documentos que
apontariam para irregularidades praticadas
naquele período.
Quer saber
As informações solicitadas por George, além
das licitações de 2005 e 2006, referem-se,
também, a contratos celebrados pela Câmara,
de 2005 a 2008, contratos com a empresa
Centro de Apoio e Organização Empresarial do
Brasil, situação patrimonial do legislativo,
também desde 2005, e, ainda, todos os
procedimentos realizados na aquisição de
bens e serviços, licitados ou não.
Fiscal
George foi ao comitê de imprensa da Câmara
Municipal e entregou cópias do requerimento
aos repórteres aos quais deu declarações.
Disse que está apenas cumprindo com sua
função de fiscalizar a coisa pública, e que
“quando existem indícios de irregularidades,
a gente tem que investigar”.
Ele começou
a apontar quais seriam alguns desses
indícios, a começar pelas licitações,
questionando se os processos obedeceram
todas as formalidades legais. E exemplificou
pelo processo licitatório para a contratação
da oficina mecânica que atende a frota do
Legislativo. O vereador declarou que, neste
caso “pairam dúvidas no ar”, e que tem
denúncias de que, em 2005 e 2006, “alguma
coisa obscura aconteceu na Câmara
Municipal”.
Ressalvou
não estar acusando quem quer que seja, mas
avisou que estará investigando todas as
denúncias para comprovar a veracidade, ou
não, “pois existem indícios”. E que
existiriam também na contratação da gráfica
que presta serviços à Casa de Leis “e numa
série de outras questões”. George quer
saber, caso a caso, também sobre
contratações de bens e serviços em que
ocorreu a dispensa ou inexigibilidade de
licitação.
Contou o
vereador que, durante janeiro pretende
analisar profundamente todos os documentos
que solicitou, comparando-os com os que
recebeu em forma de denúncias. “quero
mostrar que a Câmara realmente é
transparente, ou se não é”, falou.
600 paginas
Revelou George Luiz ter recebido, na
terça-feira, de um ex-ocupante de cargo de
confiança, que não quis revelar o nome, 600
páginas, “para mostrar coisas em que existem
suspeitas de irregularidades”, disse,
considerando que, uma vez recebidos os
documentos, passou a ser sua obrigação
investigar.
Quando
indagamos, já conhecendo a resposta, quem
era o presidente da Câmara Municipal em 2005
e 2006, George respondeu: “Era o hoje meu
suplente, vereador Delmar José Pimentel”.
Pimentel ficou na primeira suplência de
George nas eleições de outubro último e,
como George teve cassado pela Justiça
Eleitoral o seu registro de candidatura,
Delmar foi o diplomado.
O vereador
fez questão de garantir que “uma coisa não
tem nada a ver com a outra”, e que apenas
cumpre com sua obrigação. “O fato de o
Delmar ter reivindicado a cadeira que
conquistei nas urnas, embora ele diga que
não fez nada, mas a gente sabe que ele tem
por hábito dar o tapa e esconder a mão, é um
direito que ele tem, mas esse fato não é o
que me motiva à investigação de agora”,
afirmou.
Garante o
vereador que, independente da decisão da
Justiça, se ele ou Delmar ficar com a vaga,
a investigação será feita até o final.
Quando
perguntado sobre porquê somente agora surgem
as denúncias, George Luiz de Oliveira contou
ter feito o mesmo questionamento ao
ex-servidor, o qual teria respondido:
“Porque existe uma revolta generalizada, e
tem pessoa querendo posar de bom moço, mas
tem um telhado de vidro muito grande”.
Terceiro é
nada
Foi questionado o fato de George ter
pertencido à Mesa Executiva quando Delmar
Pimentel era presidente. E ele lembrou que
era terceiro secretário, comentando que
“terceiro secretário e nada é a mesma
coisa”. E que, posteriormente, passou a
ocupar a segunda Secretaria, “que também não
significa absolutamente nada, porque,
efetivamente, o poder é concentrado”.
Finalmente,
passou a ocupar a primeira-secretaria
(atualmente). “Aí sim, eu comecei a assinar
todos os atos, juntamente com o presidente e
sou responsável, também”, considerou,
garantindo que, enquanto primeiro
secretário, nada de irregular aconteceu.
Chá de
sumiço
Enfatizou George Luiz de Oliveira que
pretende investigar “principalmente”
documentos relativos a 2005 e 2006, e que
quer saber sobre o patrimônio da Câmara
Municipal. “Foram trocados todos os móveis,
e há indícios de que houve um ‘chá de
sumiço’ dos móveis antigos, bem como
materiais de escritório etc, e há quem diga
que isso desapareceu da Câmara. Precisamos
saber se é verdade e que fim levou tudo
aquilo”, declarou.
Auditoria
analfabeta
George informou que não pretende levar o
caso ao Ministério Público, mas ele próprio
fazer a investigação. “Sem pedir uma
auditoria de 70 mil reais”, ironizou,
referindo-se à empresa Centro de Apoio e
Organização Empresarial do Brasil, que teria
cobrado esse valor para prestar serviço de
auditoria ao Legislativo. “E não foi só um
contrato celebrado com essa empresa, mas,
três ou quatro, naquele período”, apontou.
O vereador
disse não saber a quem pertence a empresa,
mas que “a denúncia é de que se trata de uma
senhora que não sabe sequer assinar o nome”.
A empresa, segundo ele, é de Ponta Grossa.
CPI
Se permanecer na Câmara Municipal, George
poderá pedir uma CPI para investigar as
denúncias, caso contrário, disse que tem
vereador que poderá tomar a iniciativa por
ele.
|