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Ponta Grossa, quinta-feira 18 de dezembro de 2008
 
George Luiz acusa "indícios" e
quer investigar gestão de Delmar

Ele garante que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”, mas avisa que estará investigando o que chamou de “indícios de irregularidades” na gestão, como presidente da Câmara Municipal, daquele que foi diplomado em seu lugar.

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O vereador George Luiz de Oliveira (PMN) protocolou, nesta quarta-feira, requerimento com pedido de informações sobre processos licitatórios realizados pelo Legislativo Municipal, de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, quando Delmar Pimentel era o presidente da Casa.

Contou ter recebido de um ex-ocupante de cargo de confiança da Câmara, documentos que apontariam para irregularidades praticadas naquele período.

Quer saber
As informações solicitadas por George, além das licitações de 2005 e 2006, referem-se,  também, a contratos celebrados pela Câmara, de 2005 a 2008, contratos com a empresa Centro de Apoio e Organização Empresarial do Brasil, situação patrimonial do legislativo, também desde 2005, e, ainda, todos os procedimentos realizados na aquisição de bens e serviços, licitados ou não.

Fiscal
George foi ao comitê de imprensa da Câmara Municipal e entregou cópias do requerimento aos repórteres aos quais deu declarações. Disse que está apenas cumprindo com sua função de fiscalizar a coisa pública, e que “quando existem indícios de irregularidades, a gente tem que investigar”.

Ele começou a apontar quais seriam alguns desses indícios, a começar pelas licitações, questionando se os processos obedeceram todas as formalidades legais. E exemplificou pelo processo licitatório para a contratação da oficina mecânica que atende a frota do Legislativo. O vereador declarou que, neste caso “pairam dúvidas no ar”, e que tem denúncias de que, em 2005 e 2006, “alguma coisa obscura aconteceu na Câmara Municipal”.

Ressalvou não estar acusando quem quer que seja, mas avisou que estará investigando todas as denúncias para comprovar a veracidade, ou não, “pois existem indícios”. E que existiriam também na contratação da gráfica que presta serviços à Casa de Leis “e numa série de outras questões”. George quer saber, caso a caso, também sobre contratações de bens e serviços em que ocorreu a dispensa ou inexigibilidade de licitação.

Contou o vereador que, durante janeiro pretende analisar profundamente todos os documentos que solicitou, comparando-os com os que recebeu em forma de denúncias. “quero mostrar que a Câmara realmente é transparente, ou se não é”, falou.

600 paginas
Revelou George Luiz ter recebido, na terça-feira, de um ex-ocupante de cargo de confiança, que não quis revelar o nome, 600 páginas, “para mostrar coisas em que existem suspeitas de irregularidades”, disse, considerando que, uma vez recebidos os documentos, passou a ser sua obrigação investigar.

Quando indagamos, já conhecendo a resposta, quem era o presidente da Câmara Municipal em 2005 e 2006, George respondeu: “Era o hoje meu suplente, vereador Delmar José Pimentel”. Pimentel ficou na primeira suplência de George nas eleições de outubro último e, como George teve cassado pela Justiça Eleitoral o seu registro de candidatura, Delmar foi o diplomado.

O vereador fez questão de garantir que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”, e que apenas cumpre com sua obrigação. “O fato de o Delmar ter reivindicado a cadeira que conquistei nas urnas, embora ele diga que não fez nada, mas a gente sabe que ele tem por hábito dar o tapa e esconder a mão, é um direito que ele tem, mas esse fato não é o que me motiva à investigação de agora”, afirmou.

Garante o vereador que, independente da decisão da Justiça, se ele ou Delmar ficar com a vaga, a investigação será feita até o final.

Quando perguntado sobre porquê somente agora surgem as denúncias, George Luiz de Oliveira contou ter feito o mesmo questionamento ao ex-servidor, o qual teria respondido: “Porque existe uma revolta generalizada, e tem pessoa querendo posar de bom moço, mas tem um telhado de vidro muito grande”.

Terceiro é nada
Foi questionado o fato de George ter pertencido à Mesa Executiva quando Delmar Pimentel era presidente. E ele lembrou que era terceiro secretário, comentando que “terceiro secretário e nada é a mesma coisa”. E que, posteriormente, passou a ocupar a segunda Secretaria, “que também não significa absolutamente nada, porque, efetivamente, o poder é concentrado”.

Finalmente, passou a ocupar a primeira-secretaria (atualmente). “Aí sim, eu comecei a assinar todos os atos, juntamente com o presidente e sou responsável, também”, considerou, garantindo que, enquanto primeiro secretário, nada de irregular aconteceu.

Chá de sumiço
Enfatizou George Luiz de Oliveira que pretende investigar “principalmente” documentos relativos a 2005 e 2006, e que quer saber sobre o patrimônio da Câmara Municipal. “Foram trocados todos os móveis, e há indícios de que houve um ‘chá de sumiço’ dos móveis antigos, bem como materiais de escritório etc, e há quem diga que isso desapareceu da Câmara. Precisamos saber se é verdade e que fim levou tudo aquilo”, declarou.

Auditoria analfabeta
George informou que não pretende levar o caso ao Ministério Público, mas ele próprio fazer a investigação. “Sem pedir uma auditoria de 70 mil reais”, ironizou, referindo-se à empresa Centro de Apoio e Organização Empresarial do Brasil, que teria cobrado esse valor para prestar serviço de auditoria ao Legislativo. “E não foi só um contrato celebrado com essa empresa, mas, três ou quatro, naquele período”, apontou.

O vereador disse não saber a quem pertence a empresa, mas que “a denúncia é de que se trata de uma senhora que não sabe sequer assinar o nome”. A empresa, segundo ele, é de Ponta Grossa.

CPI
Se permanecer na Câmara Municipal, George poderá pedir uma CPI para investigar as denúncias, caso contrário, disse que tem vereador que poderá tomar a iniciativa por ele.

 






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