|
|
|
|
|

Maria Regina |
Amor de perdição
Precisamos
aprender a amar com desprendimento, afeição, e não perdição. O
outro não nos pertence, nunca será nosso. Ele surge em nossa
vida para torná-la mais bonita e atraente. Ele nos faz rir e
apaixonar. Traz dois olhos brilhantes para dentro do nosso
coração e uma mão amiga diante dos desafios e dificuldades,
mas nem sempre vem para ficar. Algumas pessoas passam horas
conosco, outras passam dias e meses, há as que vivem ao nosso
lado por anos e aquelas que, mesmo após a morte, sentimos tão
próximas que parecem não ter nos deixado. Essa ligação depende
muito de cada um e da sintonia que existe entre os dois.
Algumas pessoas estão próximas e é como se estivessem
distantes; outras estão separadas por quilômetros e é como se
estivessem lado a lado. O amor nasce de uma cumplicidade de
almas, e perdura enquanto é alimentado por interesses comuns,
sinceridade, perdão, alegria e tolerância. Ele é livre e quem
quiser aprisioná-lo com certeza irá perdê-lo.
Repito
sempre que o amor é opcional e não obrigatório. Tem gente que
pensa poder domesticá-lo impondo horários e obrigações,
fazendo exigências ou uma série de cobranças que, quase
sempre, acabam por sufocá-lo e, por que não dizer, matá-lo. Se
o amor não for livre, não tem graça. Não há como ter certeza
de que é amor. Muitos têm medo de perdê-lo, mas caso se vá,
será que era amor mesmo? Quantos relacionamentos se mantêm
pela dependência, pelo medo, pelo comodismo, pela
conveniência... Que chato ter um amor assim! Pensamos ser
amados, mas no fundo, apenas mascaramos a carência do outro e
a nossa própria carência. Não há olhares brilhantes, não há
sorrisos espontâneos, não há abraços reconfortantes nem beijos
acalorados. O dia a dia se desenrola na mesmice e na
chateação. Será que alguém é feliz assim?
Pare de
“morrer” de ciúmes e infernizar a vida do outro. Ele não lhe
pertence mesmo e, se desejar, tem todo o direito de “cair
fora”. Ninguém é obrigado a ficar com alguém. Vê se acorda pra
vida e deixa a possessividade de lado. Todos têm o direito de
viver em liberdade, inclusive de sentimentos. Quem ama quer
ficar perto; quer partilhar momentos e coisas. Quer também
ficar em silêncio quando não está bem, e isso não quer dizer
que esteja distante, apenas magoado, em dúvida ou deprimido. É
nessas horas que, talvez, sua presença seja mais importante,
para confirmar seu amor, renovar sua disponibilidade em ajudar
ou simplesmente para dar força e esperança. Amar também é
isso, aprender a servir e estar disponível para ajudar nos
momentos difíceis.
Agora, se o
seu amor não é assim, desprendido. Se ele é egoísta, opressor,
maldoso, violento, colérico, imoral ou pegajoso; sinto muito,
mas isso não é amor. Pode ser ciúme, dependência,
desconfiança, defeito, vício, afetação, vaidade, mas não amor.
Deixe isso ir embora. É verdade, deixe ir. Você não precisa
disso em sua vida. Tais sentimentos apenas escravizam e
aprisionam. Fazem sofrer profundamente e sem necessidade. Isso
é amor de perdição. Liberte-se desses sentimentos, deixe-os
ir, e você ficará bem mais leve e feliz.
Maria Regina Canhos Vicentin (e-mail:
contato@mariaregina.com.br) é escritora.
Visite:
www.mariaregina.com.br
|