|
Desafios e conquistas de quem dedicou
a vida ao Hospital Luiza Borba Carneiro
Emanoelle
Wisnievski – Assessoria
Fotos: Arquivo HLBC e Christian Camargo
(Imagens distribuídas aleatoriamente)
Meio
século! Quanta história cabe entre as paredes do
Hospital Estadual Luiza Borba Carneiro em 50 anos de
esforços para salvar vidas e resgatar a saúde de
tantas pessoas? Por seus corredores e leitos, há
muita transformação. Ali, a vida ganha outro sentido
e o significado das palavras atenção e amor é
compreendido na prática.
Em maio deste ano, o HLBC em
Tibagi completou 50 anos de fundação e na memória de
quem dedicou seu trabalho por décadas na instituição
há muita dor, sofrimento pela falta de estrutura,
mas também alegrias pelas vezes que tudo deu certo.
Em 24 de maio de
1960 o governador do Paraná Moisés Lupion inaugurou
o prédio. Por dois anos, tudo permaneceu fechado,
mas depois o Luiza Borba teve seus leitos
preenchidos por pacientes do Paraná inteiro, vítimas
dos graves incêndios que acometeram o Estado em
1963. Mais tarde, foram trazidos enfermos de Pênfigo
Foliáceo, doença de pele conhecida como Fogo
Selvagem.
Quem conta estas e
outras histórias são aqueles que faziam o
atendimento, que, por vezes, exigiu muita coragem.
Na sequência, revelações impactantes, como o dia em
que um tibagiano foi enterrado com a perna amputada
de outro, ou a vez em que um parto foi realizado sob
a mira de uma espingarda. Muitas outras situações
impressionantes são relatadas.

Início
Almira
Gomes Nessel foi auxiliar de enfermagem por 36 anos
e conta que quando iniciou, o trabalho era difícil
porque o número de funcionários era muito reduzido.
“Mas a gente fazia aquilo com carinho e a gente
conseguia lutar”. Assim como ela, Tereza Pastorina
de Souza Taques permaneceu 25 anos na profissão.
“Tinha muitas dificuldades porque além de pouco
pessoal, era só o doutor Eugênio [Carneiro] como
médico e uma auxiliar de enfermagem”, completa.
Eugênio empenhou 40 anos de sua vida ao atendimento
no HLBC e tornou-se um símbolo de coragem para os
companheiros de trabalho. “Eu cheguei em Tibagi
recém-formado em 1965. Era o único médico na cidade
e permaneci por dez anos sozinho. O hospital estava
cheio de queimados dos grandes incêndios que houve
no Paraná”, relata.
Além dos grandes
queimados, a clínica cirúrgica começou a funcionar.
“A gente praticamente operava de tudo, o que dava
pra fazer com cirurgia de raquianestesia a gente
fazia todas. Varizes, parto, tudo”, conta Eugênio,
que ficou na direção do hospital por 18 anos.
Apesar do prédio
grande e recém-construído, a estrutura física ainda
carecia de equipamentos e os Recursos Humanos eram
escassos. O médico lembra que quando chegou, as
camas do hospital eram patentes de madeira. “Então
foi conseguido que a Secretaria mandasse camas
hospitalares. Naquele tempo não havia estrada, fomos
de jipe buscar as camas. Foi melhorando o centro
cirúrgico, foi melhorando tudo. O que tem hoje veio
de pouco a pouco, mas o hospital já estava
funcionando precariamente e a gente procurou
dinamizar”.
HLBC
recebeu queimados de todo o Paraná
A
instituição servia a uma vasta e pobre região
escassamente povoada, o que tornava o Hospital
ocioso. Mas em agosto de 1963, a estrutura viria a
ser completamente usada. Inúmeros incêndios
acometeram a população paranaense. Uma central de
queimados foi instalada e recebia as vítimas da
catástrofe. O governo enviou ajuda: dois médicos e
dois enfermeiros norte-americanos completaram uma
equipe do então Estado da Guanabara.
“O Hospital de
Tibagi chegava a atender queimados de todo o Paraná.
Houve uma explosão em Campo Mourão e num dia
recebemos quatro ambulâncias cheias de queimados. E
era um único médico pra atender todo mundo. Foi
difícil”, confessa o médico.
José Noir Ferreira
Bueno, funcionário por 31 anos, relembra desse
período com muito sofrimento. “Aqui foi feito o
centro de triagem dos queimados. Eu recebia todos
aqui. Inclusive nós tivemos um queimado que ficou
parecendo uma múmia, porque era enrolado de faixa
inteirinho. Tinha uma enfermeira americana dia e
noite pingando o remédio com conta-gota na boca
dele”.
A auxiliar de
enfermagem Tereza não esquece a dor das pessoas. “A
gente entrava para fazer curativo de queimados como
numa sala de cirurgia. Era assim naquele tempo. Os
queimados eram muitos, porque eram grandes
queimados, criança, adulto, jovem, adolescente”. Com
tamanho desafio e tantas dificuldades, quem atuava
no Hospital naquela época precisava muitas vezes
conter a emoção e simplesmente seguir trabalhando.
“Era muito triste fazer curativo neles, mas a gente
fazia esforço para não chorar né? Porque eles não
podiam ver que a gente tava chorando”, conta Tereza.
“Muitas crianças, também queimadas, elas saíram com
sequelas das queimaduras mas saíram andando,
abraçando a gente, felizes”, recorda.
Eugênio realça que
havia uma abnegação dos funcionários. “Na época
consideravam como um hospital da comunidade. E eles
não ligavam muito para horário. Vinham porque o
hospital era deles. Não era um hospital do governo.
As nossas cozinheiras trabalhavam 12 horas por dia
recebendo quatro, seis horas só. Naquela época a
gente conseguiu criar uma filosofia assim, o
hospital é nosso, vamos dar o que temos por ele”,
aponta.
E
então vieram as vítimas do Fogo Selvagem
Em seguida,
uma nova missão: receber pacientes de pênfigo que
vinham de longe em busca de auxílio. “Pênfigo é
aquela doença de pele, fogo selvagem. Eles ficaram
vários tempos, ficaram muitos anos”, elucida Almira
Gomes Nessel, que trabalhou por 36 anos como
auxiliar de enfermagem. “Tinha bastante gente. Assim
como vinha gente boa, também morriam aqui porque às
vezes a doença estava muito alastrada no corpo e
então acabavam falecendo”, completa José Noir.
Para o único médico
da casa, o desafio era enorme. “Não era a minha
especialidade, fiz um treinamento rápido e tivemos
aqui quase 20 pessoas do Pênfigo Foliáceo. Eles não
eram da região, eram todos do Norte, do Norte Velho,
e eles não tinham morada fixa”, declara Eugênio.
Mas também havia
motivo para sorrir. “Os pênfigos eram mais fáceis de
cuidar. Porque eles gostavam de ir para o banheiro.
Eles não tinham aquela dor como o queimado né? Já
era mais fácil de cuidar deles”, conta a auxiliar
Tereza. “A gente se emocionava com o jeito deles. As
mulheres que estavam melhores ajudavam a gente com
os que estavam acamados”.
Missão
Para ela,
a atuação no Hospital foi “mais uma missão do que um
trabalho de enfermagem”. E a missão que cada um
cumpria deixou cicatrizes invisíveis. Quem
presenciou situações onde vida e morte eram
separadas por uma frágil linha, não esquece o
esforço das pessoas envolvidas na tentativa de
salvar. “Foram muitas vidas. Não foi pouco, foi
muito. Eu gostava quando a pessoa chegava bem mal e
que eu fosse salvar aquela vida e ele fosse
melhorando. Para mim aquilo era muita alegria”, diz
Almira, companheira de enfermagem.
Traumas
Grandes desafios também deixam grandes traumas. José
Noir acredita que se fosse ficar impressionado,
teria saído jovem do trabalho. “Então um dia o [José
Nelson] Pavesi, que era diretor do Hospital, chegou
e disse: seu Noir, o senhor vai a Castro, vai ajudar
a puxar os quebrados lá. Cheguei lá, tinha uma, duas
ambulâncias, depois chegou mais outra, comigo
quatro. Cada um de nós deu três viagens para Ponta
Grossa carregando três pessoas cada vez. Foi um
acidente de um ônibus da Puma que bateu com um
caminhão de soja. Morreram nove no lugar e ficaram
28 feridos. Essa vez, então, se fosse ficar
impressionado mesmo, teria largado do serviço”,
descreve.
Para Almira, o dia
mais marcante foi quando houve um acidente na
unidade local da Batavo. “O seu João Evangelista
cortou o braço e foi socorrido aqui no centro
cirúrgico e foi amputado o braço dele. Naquilo nós
salvamos ele. Foi salvo e hoje ainda está bem. Foi
muito emocionante”.
Nas
recordações de Tereza, a tentativa de suicídio de
uma senhora não se apaga. “Ela brigou com o marido e
se queimou toda, inteirinha, mas saiu andando
também. Ela cantava para nós”. Medo, coragem e
compaixão eram companheiros de ofício e Tereza, que
enfrentou tudo isso, também ficava feliz.
“A mãe de um
deputado, que eu não lembro o nome dela e nem quem é
o deputado, chegou paralítica aqui em Tibagi e a
gente cuidou dela. Eu com a outra companheira minha,
a gente lutava. A gente não tinha curso especial,
mas a gente fazia o que o doutor mandava, o que o
doutor ensinava e o que a chefe de enfermagem
ensinava pra gente né? Então a gente cuidou dela e
ela saiu andando daqui. Ela tinha muito medo, nós
fomos acompanhando e quando chegou lá no fim,
faltava uns cinco metros, nós fomos largando de
pouquinho. Quando ela chegou na parede, ela gritava,
xingava a nós, mas de alegria. Ela estava feliz com
a gente. Isso foi uma alegria muito grande”.
A memória do médico
Eugênio ainda traz à tona muitas lástimas. “As
crianças não tinham resistência. Morriam por
qualquer coisa, uma bronquite, uma desidratação.
Elas não tinham mamado leite materno, o colostro.
Então perdia-se muita criança por esse princípio. E
o nosso consultório era lotado de crianças”,
mentaliza, acrescentando que hoje, com a instituição
da amamentação, é raro ver uma criança na sala de
espera. “Diminuiu muito. E as crianças são bem
nutridas, não correm aquele risco que eu passei,
aquele medo que eu passei, aquele desespero que eu
passei, aquela vontade de sumir que eu tinha quando
perdia aquelas crianças porque eram fracas”.
Um parto na mira da
espingarda
Na falta
de estrutura, criatividade e improvisação entravam
até na sala de cirurgias. Foi contando com a
inventividade que doutor Eugênio fez uma cirurgia
cesariana sob a iluminação de uma lanterna acoplada
à uma espingarda.
“Aqui sempre que
chovia, apaga a luz. Então, numa cesariana, eu
fazendo só com uma enfermeira ajudando, aconteceu de
apagar a luz. E a raquianestesia é uma coisa que
dura 40 minutos. Tentamos fazer com vela, mas
pingava cera na barriga da gestante, tentamos com
liquinho, não tinha gás, foi uma correria toda.
Então uma enfermeira, a Almira, lembrou-se que o
marido dela tinha uma espingarda para caçar paca.
Então vá buscar. E ela foi buscar lá a espingarda
com lâmpada e logo voltou. Todos nós aguardando a
chegada dela e a paciente acordada porque é
raquianestesia. Chegou ali, 'ói doutor o cibié, a
lâmpada, não sai, tá enroscada, tá presa na
espingarda'. Eu falei: dá para iluminar? Ela falou:
dá. Então ela entrou com espingarda e tudo e ela
mirou a barriga da mulher com a espingarda e ficou o
tempo todo mirando a espingarda e nós terminamos a
cirurgia desse jeito. Então houve de tudo. Tudo o
que se pode esperar”, narra.
Um homem com três
pernas
Eugênio
enfrentou muitas outras situações em que a decisão
tinha de ser súbita, não havia tempo para pensar.
Ele relata ter amputado a perna de um paciente com
serra simples, de encanador.
“Enquanto fazia a
cirurgia, pensava onde vou colocar esta perna? Então
o José Noir entrou na sala de cirurgia e relatou que
um paciente havia falecido. Naquela época, os
próprios funcionários faziam os caixões. Eu pedi a
ele que fizesse um caixão maior. Enterramos aquele
homem com a perna do outro paciente no meio de suas
pernas. Aqui em Tibagi tem um homem enterrado com
três pernas”, evoca da memória o doutor que tem
dificuldade ainda para enfrentar os fantasmas do
passado. “Hoje parece engraçado, mas eu sofri demais
com isso tudo”.
“Chegou uma mulher
também de parto que tinha que fazer a reversão da
criança. Eu nunca tinha visto isso, mas eu tinha que
fazer, não tinha para onde ir. E fiz essa reversão
de criança, vinha o braço preso, a cabeça, eu tive
de ir buscar as perninhas e fazer o parto”, emenda.
Eugênio
ainda observa no passado, como se por um calvário
tivesse passado, a situação em que uma gestante
comprimiu o útero na hora do parto e, num
procedimento padrão para forçar a saída do bebê,
cabeça e tronco foram rompidos.
“Eu tive que fazer a
cesariana naquela mulher, ela o tempo todo acordada,
para tirar a cabeça da criança que ficou dentro da
barriga. O corpo para fora e um parto de uma cabeça.
Foi muito chocante, não gosto nem de lembrar”, diz
Eugênio.
“São experiências
assim que hoje não me meto a fazer mais porque tem
especialidades aqui próximo. E nós tinha que fazer
aquilo não porque a gente queria salvar ou queria, a
gente tava apavorado, tinha que tomar uma decisão,
então foi difícil”, desvela.
Infecção
generalizada causou pânico
Entre
tristezas e alegrias, a trajetória de cada um ficou
marcada por barreiras transpostas a partir de muita
dedicação e perseverança. Os momentos mais difíceis
foram superados a custa de suor e força de vontade.
Para o médico Eugênio, o momento mais difícil foi o
período em que o HLBC foi contaminado e uma infecção
generalizada causou grande mortalidade.
“Ficou um hospital
de referencia para queimados aqui, mas o hospital
também era de clínica médica e de cirurgias. E com
essa mistura de Pênfigo Foliáceo, queimados e
cirurgia, nós tivemos até problemas gravíssimos de
infecção hospitalar generalizada. Daí um dia fui a
Curitiba e disse: olha eu estou abandonando o
hospital, não vou para lá, porque lá ta morrendo
todo mundo. Daí eles me autorizaram a não internar
mais o queimado”, expõe.
Eugênio lembra que
pedia por favor para que não se internem aqui. “Era
uma infecção hospitalar gravíssima e retirando
alguns doentes, mandado embora alguns doentes,
conseguimos debelar essa infecção hospitalar, sem
apoio de ninguém, sem entender o que estava
acontecendo. Isso foi o que mais me marcou”.
Situação que ainda
causa sofrimento, segundo o médico, foi quando o
coveiro do cemitério ligou e disse que não havia
mais vagas para enterrar. “Fui lá e com um pedaço de
metal eu e o coveiro cutucávamos o terreno, nos
corredores entre um enterrado e outro, e
procurávamos espaço para enterrar mais um. Isso
aconteceu aqui, em Tibagi”, ressalta.
Apesar do tormento,
a enfermeira Tereza gosta de buscar nas lembranças
os momentos bons. “Cada criança que nascia era uma
alegria imensa. Cada pessoa que saía já sã era outra
alegria também. É isso aí. A gente ficava triste
quando não conseguia, que ia a óbito. A gente ficava
triste junto com as outras pessoas”. Na sua opinião
o “doutor Eugênio foi um herói, foi um missionário”.
Ele discorda e
lembra que houve um momento em que o hospital era
uma coisa notável. “Vinha gente de toda parte. Tinha
dias que nós fazíamos três cesarianas na mesma noite
e em dois médicos só. A gente não tinha nem preparo
pra fazer isso tudo, a gente tinha que enfrentar a
intuição”.
Novos
médicos chegaram
“Daí
recebi mais dois médicos pra me ajudar, o doutor
João Baroni e a doutora Zoraide Baroni. Naquele
tempo, com mais médicos, a gente podia fazer mais
cirurgias”, indica Eugênio. “Não tinha como sair de
Tibagi porque não tinha asfalto, e a estrada Tibagi
a Telêmaco, Tibagi a Castro e Ponta Grossa às vezes
ficavam incomunicáveis. A gente ficava até 15 dias
isolado. Então a gente tinha que atender cirurgia,
fazer todo e qualquer tipo de parto, fazer
cesariana, até ortopedia e traumatologia. A gente
fazia alguma coisa porque não tinha como fazer mais
nada. Fazia o que podia”.
Apesar da coragem, o
médico acha que sofreu essa experiência por não ter
treino suficiente. “Eu pegava um livro para ler e
não sabia se lia cirurgia, se lia clínica, se lia
pediatria, se lia ginecologia, obstetrícia ou se lia
traumatologia”.
Até os doentes
participavam
“Eu me
lembro que fazia baile, as orquestras vinham
trabalhar de graça aqui para a gente. Os doentes iam
trabalhar no botequim, na cozinha. Até os doentes
participavam das festinhas que tinha para angariar
recursos pra comprar remédio”, expressa Eugênio.
Lição de Vida
Superar a
falta de estrutura, buscar na prática o conhecimento
necessário em cada situação, sofrer junto aos
pacientes e comemorar com cada vitória da saúde
sobre a enfermidade. Tudo isso deixa uma lição de
vida. “Tenho, tenho uma lição de vida. Nunca mais
fazer a mesma coisa”, repete Eugênio, aos risos.
“Tinha que fazer, não era coragem. Chega um momento
que não é herói. Não tinha que ser feito. Não ia
deixar alguém perecer porque eu não sou herói”.
A maior lição é
deixada pela enfermeira Tereza: “quando eu entrei
aqui, achava que era uma mulher muito sofredora, por
ser pobre. Achei que só eu sofria muito, mas daí a
gente viu quanto sofrimento que tem além da gente. A
lição é ajudar sempre os outros em prol da vida”.
Com a recordação, Tereza tem uma mensagem especial.
“Que todas as
pessoas que trabalham no hospital, principalmente a
turma da enfermagem, que tenham sempre muito amor.
Usem a técnica sempre pra não fazer de novo. Fiz o
que eu pude, dei de mim pras pessoas. Se eu não fiz
melhor foi porque não sabia ou não pudia mas o que
eu fiz, fiz com amor e achava que tava fazendo
certo”.
Hospital realizou 17
mil atendimentos ano passado
Atualmente, o Hospital Luiza Borba Carneiro funciona
como Hospital Geral com 30 leitos. Mais de 17 mil
atendimentos são realizados por ano. A instituição é
mantida pela Secretaria de Estado da Saúde e conta
com parceria da Prefeitura de Tibagi, que colabora
com a reposição de recursos humanos. São 84
servidores, 65 mantidos pela Secretaria de Estado e
19 pela Prefeitura.
Nilse Romel,
diretora administrativa do HLBC, ressalta que a
equipe é muito solidária. “Eu acredito que o
hospital seja muito importante para a comunidade
porque ele é uma referência no município para tudo.
Para dor, para necessidade, urgência, machucado.
Enfim, eu não consigo imaginar Tibagi sem este
hospital pra auxiliar realmente a comunidade”,
afirma, acrescentando que percebe que a questão do
conhecimento entre as pessoas é muito importante.
“Aqui as pessoas se conhecem pelo nome, sabem onde
moram”.
AAMI
A
entidade também conta com apoio de voluntários e da
AAMI-HLBC, Associação de Amigos do Hospital Luiza
Borba Carneiro. Conforme Douwtje Biersteker,
presidente da AAMI, a Associação surgiu para
melhorar o atendimento. “Eu sei que nem sempre o
poder público pode oferecer tudo o que eles
precisam”, considera. “Não existe nada mais
gratificante quando a gente faz alguma coisa de
coração, alguma coisa para a comunidade. Acho que
não existe nada mais gostoso, mais compensador”,
completa.
Coleta de sangue
O HLBC
mantém há 21 anos, através do Serviço Social, três
campanhas anuais de coleta de sangue pelo Hemepar;
cumpre rigorosamente a lei Estadual que determina
ambiente livre de tabaco; trabalha intensamente
entre os servidores a separação de resíduos e a
diminuição da produção de resíduos descartáveis,e
foi o precursor no Estado na organização de seu
arquivo.
João e Zoraide
João
Baroni, médico há 37 anos na instituição, encara o
hospital como sua própria casa. “Eu vivi mais tempo
dentro dele até hoje do que dentro da minha casa”,
contabiliza. Segundo ele, o início da vida médica
foi muito difícil, mas desse tempo todo se sente
feliz por fazer parte da equipe. “Nunca trabalhei em
outro lugar, apenas aqui nesse hospital e apenas
aqui em Tibagi”.
Baroni realça que
faz hoje pré-natal de netas de mulheres que fizemos
o parto com ele. “Portanto eu conheço as pessoas,
conheço as doenças de pessoas como poucos”.
Sua esposa Zoraide,
também médica da entidade há 37 anos, tem orgulho do
trabalho pela comunidade. “A todos os funcionários,
todos que dão sua vida, seu suor aqui dentro, desejo
que o Hospital sempre sirva de exemplo de superação,
de favorecimento ao povo de Tibagi”.
Nelson
Nelson
Tsukuda é médico no HLBC há 26 anos. “É com muito
prazer, desde o ano de 1984, que como médico venho
servindo essa comunidade. E com alegria, inclusive
com o reconhecimento da população, fui até
vice-prefeito dessa cidade já. Com honra, com
orgulho continuo servindo até hoje, no ano de 2010”. |