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  Ponta Grossa - Paraná -  
 
Era o fim; jogando conversa fora!

A história foi um tanto quanto estranha. Mas, é o que ficou registrado. Na tarde do dia 12 de maio de 2003, em Curitiba o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, estava reunido com lideranças políticas de Ponta Grossa, e com o reitor da UEPG Paulo Roberto Godoy. Discutiam o Curso de Medicina. O pessoal daqui continuava tentando convencer o governo da importância e das condições para a manutenção da faculdade. Falavam, argumentavam, esperando que aquele encontro resultasse em uma audiência com o governador Roberto Requião, quem sabe no dia seguinte.

Conversa fora
Dizia o reitor ao secretário, sobe a estrutura que o curso dispunha, os recursos já liberados e os previstos no Orçamento do Estado, entre outros itens, especialmente a proposta da Prefeitura da utilização do Ponto Socorro e do Hospital da Criança para servirem de “Hospital Universitário”, sendo que o Município continuaria investindo nas duas unidades.

Não sabia o reitor, nem as lideranças que participavam da reunião, que tudo não passava de um mero bate-papo, que ele e os demais estavam, literalmente, jogando conversa fora.

Acontece que, antes do início daquela reunião com o secretário do Ensino Superior com as lideranças da cidade, o governador Roberto Requião, antes de viajar para a Argentina, já havia assinado o decreto que mandava para a prancha o Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa. E, com ele, tudo o que representava de esperança, de sonhos, da alegria da um povo. Era o que se chamou depois, de “um tapa na cada da Princesa”.

Não sabia
Interessante do que se registrou dos fatos, é que, estando reunido com lideranças daqui, o secretário do Ensino Superior, Aldair Rizzi, não sabia da decisão do governador. Não sabia que o curso já estava suspenso, por isto, alimentava esperanças. Mais curioso foi que Rizzi não fez o que faria uma outra pessoa de bem, que tem brios, que tem orgulho: Rizzi não reagiu e não pediu sua exoneração do cargo, por conta da traição de que teria sido vítima, caso, de fato, não soubesse da sentença.

E o Vanhoni?
Nunca se soube onde foi parar o tal compromisso assumido, aqui, perante a comunidade de Ponta Grossa, pelo líder do governo na Assembléia, Ângelo Vanhoni, do diálogo entre a cidade e o governador Roberto Requião. Possivelmente possa ter parado na sua consciência, ou na ciência de que não tinha prestígio suficiente junto ao governador, ou não teve qualquer disposição em ajudar. Quem acreditou, acreditou!

Humilhação
No dia seguinte ao da publicação do decreto que suspendeu o Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa, o jornalista Adail Inglês, do Diário da Manhã, escreveu o seguinte artigo, publicado no dia 14 de maio de 2003:

O fechamento do curso desmerece
o conceito de nossa Universidade
Mesmo com todas as razões do mundo, o governador Roberto Requião não tinha o direito de humilhar Ponta Grossa e desmoralizar a nossa Universidade. Ainda que tivesse essas razões, jamais poderia ter feito o que fez. E o pior é que está a fazer do gesto do fechamento do curso um instrumento de inspiração para o discurso do momento, passando informações que não correspondem com a realidade. A cidade nunca cometeu um ato de descortesia com Roberto Requião. Logo, não parece justo que esteja sendo agredida por ele, em cima de informações que lhe passaram, mas que são irreais, falsas, mentirosas.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa, seguramente, de todas as universidades estaduais do Paraná é a que pode exibir o melhor comportamento, no respeito aos orçamentos atribuídos a cada uma das instituições de ensino superior público do Estado. Não existe um único elemento, no histórico de nossa instituição, que possa ser configurado como um ato de irresponsabilidade. Se a Universidade não tivesse absorvido, com tanta fidelidade, o perfil cultural de nosso povo, de excesso de zelo e de responsabilidade, de há muito o Curso de Medicina já estaria funcionando. E, assim, teríamos escapado dessa ação, severa e parcial, do governa dor Roberto Requião.
E o que há de mais extraordinário em tudo isso, é que o governador do Estado não ouviu ninguém da Universidade, ninguém da cidade, como se não devesse a menor satisfação à comunidade. À mesma comunidade, que lhe assegurou vitória nas urnas do ano passado e nas eleições de 90. Esse é o dado inusitado, por que ninguém sabe explicar a razão determinante do fechamento do Curso de Medicina, simplesmente, porque ninguém sabe, porque ninguém foi recebido pelo governador, porque ninguém conseguiu expor as razões da comunidade, porque a ninguém foi dado esse direito.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa, pelo trabalho de todas as suas administrações, conseguiu construir um nome, um prestígio, um conceito no cenário do ensino público brasileiro, mormente, entre as instituições públicas do terceiro grau. E, tanto conseguiu tudo isso, que o reitor do último período administrativo, professor Roberto Frederico Merhy, foi guindado à presidência da Associação Brasileira das Universidades Públicas Estaduais e Municipais, a Abruem, realizando um trabalho de indiscutível eficiência. E foi, no final do segundo mandato de Merhy, que aconteceu o Curso de Medicina, para orgulho da comunidade universitária e para contentamento da comunidade, de um modo geral.
Aí, de repente, surge a notícia de que o governador do Estado fez o anúncio do fechamento do Curso de Medicina. Perplexas, nossas autoridades se entreolham e se indagam sobre a razão, sobre o motivo, sobre a causa de tudo isso, sem que nenhuma delas consiga qualquer explicação. A despeito de todas as dificuldades orçamentárias, não seria o Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa que iria comprometer as finanças do governo do Estado, ainda mais com as alternativas buscadas para diminuir o impacto do custo junto ao Tesouro Estadual. E nem essas alternativas puderam chegar ao conhecimento do governador, porque ele não quis receber ninguém daqui, porque ele não quer conversar com ninguém daqui.
E todos se recordam que Requião sempre teve, da nossa gente, um tratamento de absoluta cordialidade.

 


 

 

 


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