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JUDITH CARNEIRO DE MELLO, nascida em Castro, no dia 11
de abril de 1923, é filha de famílias genuinamente
castrenses. Seu pai, Vespasiano Carneiro de Mello, era
empresário e político na região dos Campos Gerais. Sua
mãe, Maria da Conceição Bueno Barbosa Carneiro de Mello
era membro de uma das mais antigas e conhecidas famílias
de Castro.
Durante a infância e adolescência estudou nos Colégios
São José e Diocesano Santa Cruz desta cidade, seguindo
depois para Curitiba onde formou-se Normalista em 1942.
No retorno à Castro, assumiu funções de professora no
Grupo Escolar Dr. Vicente Machado até 1949.
A partir desta data passou a freqüentar o Curso
Intensivo de “Educação Física” – Magistério Primário”,
em Curitiba. Já Licenciada em Educação Física atuou em
Piraí do Sul e Rolândia.
Após prestar “Exames de Suficiência” para a cadeira de
Desenho, retornou a Castro lecionando nesta disciplina e
Educação Física no Ginásio Estadual de Castro, do qual
foi também a 1ª Diretora. Atualmente este Colégio leva o
nome de seu pai, ou seja, Colégio Estadual “Major
Vespasiano Carneiro de Mello” – Ensino Fundamental e
Médio.
Lecionou ainda, aos jovens castrenses, as disciplinas de
Música e Educação Moral e Cívica.
Em 1973 recebeu do Governo do Estado do Paraná o
“Diploma por Relevantes Serviços Prestados à Melhoria da
Educação”.
Aposentou-se da função de professora em 1983, após
trinta anos dedicados à educação dos jovens castrenses.
Já estava, no entanto, há alguns anos envolvida em outro
trabalho, que marcaria para sempre seu nome em Castro: o
estabelecimento de um Museu Castrense, que registrasse
para o futuro as nossas origens.
Apegada aos valores essenciais do passado, Judith
propôs-se ainda na década de 1970 a realizar seu
intento. Encontrou irrestrito apoio no então Prefeito
Lauro Lopes, que com entusiasmo admirável materializou a
iniciativa na forma de Lei Municipal e deu todas as
condições para a sua execução. Após muito discutir o
assunto com proeminente intelectual paranaense e seu
amigo pessoal, Dr. Newton Carneiro, Judith estabeleceu
as linhas substanciais: a saga desbravadora destas
nossas paragens seria perpetuada no Museu do Tropeiro,
realização inédita no Brasil.
O
Município adquiriu secular moradia, restaurada sob a
orientação de arquiteto do Departamento Histórico e
Artístico do Governo do Paraná, ao mesmo tempo, que
Judith percorria todo o interior do Município, visitando
as mais abastadas fazendas e os mais humildes sítios, em
busca das peças que formariam o valioso acervo do Museu
do Tropeiro. Nas jornadas que começavam de madrugada e
se estendiam até a noite a professora Judith esclarecia
às pessoas do que significaria o gesto de doação de uma
peça para a memória do Tropeirismo e de Castro.
Seu mérito pela organização de tão significativo Museu
foi reconhecido pelo Governo do Estado do Paraná, que em
1988 lhe conferiu mais uma condecoração: o 1º Premio
Ermelino de Leão.
Durante os vinte e oito anos de existência do Museu do
Tropeiro, sempre esteve zelando pelo seu bom
funcionamento e representatividade no cenário cultural
nacional, mesmo quando afastada da Direção. Os seus
serviços sempre foram fruto do seu idealismo, pois só
recebeu remuneração financeira paga pela Prefeitura
Municipal a partir de 2001.
Seu amor à Castro, entretanto, nunca esmoreceu diante
das adversidades: levou exposições temporárias da cidade
à Capital Curitiba e divulgou o nosso Artesanato em
dezenas de Feiras por todo o Brasil.
Há alguns anos propôs-se novo Projeto: divulgar as
belezas históricas e naturais de Castro. O resultado foi
uma série de 4 álbuns idealizados por ela e executados
com auxílio de um pequeno grupo de colaboradores. O
patrocínio é dado por empresas e pessoas reconhecedoras
do seu esforço.
Nas comemorações dos 300 anos de Fundação de Castro,
idealizou e realizou uma série de eventos alusivos à
data, entre eles o Espetáculo de Luz e Som na Fazenda
Capão Alto e o Seminário de Tropeirismo, que contou com
a presença das maiores autoridades intelectuais no
assunto.
Organizou também a Casa de Sinhara, em homenagem às
mulheres castrenses do passado. A exposição alcançou
grande repercussão, tendo sida veiculada em rede
nacional pela Rede Globo e visitada por milhares de
pessoas(1).
No entanto, Judith Carneiro de Mello não é mulher ligada
apenas aos valores culturais. Também a solidariedade
verdadeira e sigilosa está presente na sua vida. Durante
as viagens ao interior do Município em busca de acervo
para o Museu do Tropeiro, conheceu uma realidade que bem
poucos sabem existir: idosos, crianças e doentes nos
lugares mais longínquos e inacessíveis, onde as
campanhas de assistência não costumam alcançar. Desde
então e há mais de vinte anos, de maneira discreta e sem
alarde, todos os anos arrecada alimentos, roupas e
brinquedos e os leva até os mais de três mil
cadastrados. Faz questão de atender os necessitados sem
vincular a ajuda a partidos políticos ou entidades
religiosas.
Desde 2003 está envolvida no resgate do artesanato
típico de Castro. Elaborou projeto que visa manter o
artesão no seu núcleo rural e ensinar o ofício às novas
gerações. Em junho de 2005 conseguiu incluir este
artesanato típico de Castro, composto de mulas de
madeira, cestos, peneiras, etc., na exposição que o
Brasil fará durante o ano em Paris, na França. É notável
este fato, já que foram poucas amostras de artesanato
selecionadas em todo o país.
Reservada, Judith não dá entrevistas, não permite ser
fotografada e não faz alarde do seu grande trabalho. Mas
basta um olhar para a história da sua vida e é possível
saber do seu imperioso amor por Castro e pelos
castrenses.
(Texto
extraído da Justificativa ao Projeto de Lei n° 65/05 de
iniciativa do então Vereador castrense Henrique Aurélio
Salgado, concedendo a Dª Judith o título de Cidadã
Benemérita. Recentemente, Dª Jutdith quebrou a tradição
de não conceder entrevistas e participou da série de
reportagens sobre a Rota dos Tropeiros, realizada pela
Rede Globo. Em nossa última conversa, havia sinalizado a
possibilidade de ser fotografada por minhas lentes, no
Projeto “Beleza depois dos 80”, que pretende reunir
oitenta mulheres acima dos 80 anos que ainda detenham
atividades próprias e continuam contribuindo para o meio
onde vivem. Não houve tempo para que pudéssemos
aprimorar a idéia. Castro perde uma de suas mais
ardorosas cidadãs e amigas. Essa perda inestimável é
lamentada não tão-somente por todos os castrenses, mas
também por todos aqueles batalhadores pela preservação
do patrimônio artístico-cultural de nosso país.
Fabiana Guedes, em Castro, 12 de fevereiro de 2.007)
Tendo em vista sua grande relevância, a
Casa de Sinhara, que surgiu como exposição temporária,
permanece também como museu na cidade de Castro, na
Praça Nossa Senhora Sant’Anna, apresentando belo acervo
ligado às mulheres dos tropeiros e das famílias de
origem. Dª Judith estava permanentemente à procura de
novas peças e fotografias para seu acervo.
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