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Ponta Grossa, quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Por que não desejo Feliz Natal?

 


Seu Pedro

 

São muitos os que perguntam o porquê de em minhas mensagens não seguir um desejo de Feliz Natal, quando muito são votos de Boas Festas!

O Dia de Natal é uma data de tristezas; uma criança que veio ao mundo, segundo alguns, predestinada a morrer. Um dia de dar presentes, o dia de ficar bonzinho e nos demais um ser humano nada humano?

Quanto paradoxo desejar felicidade a alguém justamente no dia em que nasceu o menino que cresceu e desejou a felicidade para todos. Talvez eu devesse desejar um Feliz Natal a todos os Cristãos! Também seria egoísmo, pois Jesus não pregou felicidade só para os que o seguiam; falou todos!

Natal é indicador de nascimento e, se não nascermos para uma realidade, só teremos um frívolo 25 de Dezembro, tão pior do que os demais dias. Pior porque será data de martírio para os demais 364 dias.

Martiriza-me, e creio que há muitos também, ver a fome batendo à porta do irmão mais pobre e eu, engessado nos meus limites, nada de relevante podendo fazer, no máximo ofertar um dízimo.

A festa e o colorido são belezas que as acho bonitas. Mas nelas não cultivo o nascimento do Salvador, ao qual não damos espaço para que nos salve da vaidade de escolher, quando deveríamos sentir escolhidos. E o homem escolheu um dia para ser o Natal!

Um dia ingrato que nos obriga ao sacrifício de gastar mais do que seria justo para presentear o comércio, a indústria e afins, que mais lucram nesta data nada feliz aos olhos dos que enxergam a dura realidade. Dos que olham ao seu redor!

Tudo isto dentro da minha ótica, de um cristão que parece pensar como um ateu. Mas eu, que creio na divindade de Cristo e que, seguindo a hereditariedade, nos vejo divinos, já que somos filhos de Deus, olho nosso irmão Jesus  entristecido conosco, que dele a essência negamos a seguir!

Estarei normal, como a quase totalidade, andando pela praça, vendo maravilhado a obra de artesanato manifestada pela mão do artesão. Entenderei que político desejou agradar seu povo com o belo presépio, verei sorridente o vendedor de pipocas, cuja a renda se multiplica nestes dias, e contribuirei para isto comprando a guloseima para a criançada.

Meu dinheiro sacrificado ficará nas lojas de presentes, que me serão entregues, revestidos por um papel enfeitado, protegidos por  sacola plástica que não se decompõe ameaçando o futuro de nossos herdeiros.

E, como querem que eu diga Feliz Natal? Ou felicidade é destruir? Por isto desejo Boas Festas sem compromisso de dar presentes.

Dou a quem precisa ou mereça o que posso, em um dia qualquer!
-
Seu Pedro deseja a todos a felicidade nos dias que se aproximam, e que celebrem com modéstia e dentro da realidade, seja em dezembro ou em junho, o Natal dos “Meninos Jesuzes!”.


(*) Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, editor do
jornal Vanguarda, de Guanambi, BA.

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