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Durante pesquisa para montagem de uma nova palestra
encontrei referências a Marcus Vitruvius Pollio, um
escritor, engenheiro e arquiteto romano que viveu no
primeiro século antes de Cristo. Ele é autor de uma
série de livros chamados De Architectura (Sobre
Arquitetura), dedicados ao imperador Cesar Augusto,
que são um guia para a construção de projetos.
Em um dos livros está uma descrição de como os
romanos construíram seus aquedutos, desde a forma
como os locais onde seriam construídos eram
escolhidos até a definição de materiais a serem
utilizados. Vitruvius já recomendava que não se
utilizasse chumbo para conduzir água potável, 100
anos antes de Cristo...
Somados, os aquedutos construídos em Roma atingiam
cerca de 800 quilômetros, pouco menos de 50 deles
acima do solo. Os maiores aquedutos, ligando cidades
distantes, atingiam cerca de 100 quilômetros de
extensão. A água era movida pela gravidade de forma
muito eficiente, e o exame das técnicas romanas
demonstra sua sofisticação. Isso tudo 2000 anos
atrás. Mas uma pesquisa revela que muito antes dos
romanos, outras civilizações desenvolveram aquedutos
para abastecer suas cidades.
Muito bem.
Estamos entrando na segunda década do século 21. Já
botamos o homem na Lua, queremos mandá-lo para Marte
e desenvolvemos tecnologias que, comparadas à dos
romanos, podem ser consideradas mágicas. Mas abrimos
os jornais, ligamos os rádios e televisões e o que
vemos todo ano é o mesmo: Rio de Janeiro, Santa
Catarina e Minas Gerais alagadas, com gente perdendo
casas e vidas. Ao mesmo tempo, Sergipe e o Rio
Grande do Sul sofrendo com secas terríveis, sem água
para cozinhar e com o gado morrendo de sede as
plantações dizimadas.
Então quero sugerir uma besteira, daquelas que os
ignorantes tem licença para sugerir: que tal começar
a pensar no Grande Aqueduto Nacional? Na Aquabras?
Um sistema capaz de distribuir a água em excesso de
uma região para outra, onde ela está em falta?
Você pode argumentar que essa é a proposta da
transposição do Rio São Francisco, por exemplo, ou
que o Brasil é grande demais. Talvez diga que do
ponto de vista econômico essa obra é um desastre.
Pode dizer também que a geografia brasileira não
permite. Talvez argumente que a Aquabras, será
apenas outra estatal cujos cargos de direção serão
loteados pelo PT... Pois é. Posso encontrar dezenas
de argumentos para não fazer, mas nenhum deles será
mais forte que os argumentos para não fazer o trem
bala Rio-SP, por exemplo, que vai consumir mais de
70 bilhões de reais e está em plena discussão.
A
questão é de priorizar em que absurdo botar o
dinheiro. Eu prefiro a Aquabras.
Tudo bem, minha sugestão é absurda, não sou
engenheiro e não entendo lhufas de água, mas não me
conformo em saber que 2000 anos atrás, sem
computadores, sem internet, sem assistência de
técnicos chineses e com muito menos dinheiro,
Vitruvius resolveria o problema.
Pena que a solução para o problema não é técnica.
É
política.
Luciano Pires é jornalista, escritor,
conferencista e cartunista.
Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil,
acesse
www.lucianopires.com.br.
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