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Ponta Grossa, quinta-feira, 24 de setembro de 2009
 
Clube Estrela da Manhã, de
Tibagi, comemora 59 anos
Texto: Peter Allan e Nery Aparecido Assunção
Colaboração: Arion de Campos
Fonte: Teu Nome é História – Nylzamira Cunha Bejes
Imagens: Arquivo Museu Desembargador Edmundo Mercer

Um dos clubes mais tradicionais de Tibagi está de aniversário! São 59 anos de muita história, carregada de traços típicos da cultura tibagiana, especialmente da tradição mantida pelos negros. O Clube Estrela da Manhã foi inaugurado em 25 de setembro de 1950 embora seus primeiros passos tenham sido em 04 de maio de 1934 – conforme documentos do terreno em que mais tarde seria construída sua sede.

Segundo registros do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior, o Clube Estrela da Manhã teve sua fundação iniciada por volta da década de 40 em reuniões realizadas por amigos num velho salão de propriedade de dona Inocência e que pelo estado precário de conservação era conhecido como ‘Cai-Cai’, atualmente sede da Loja Mattos.

Outros locais serviam também de ponto de encontro dos amigos do ‘Estrela’. Reuniam-se no salão conhecido como ‘Pedreira’ pelo fato de existirem pedras colocadas na frente da casa, resultantes de antigas construções. Hoje o local sedia a Loja Gasperin. Mais tarde, ‘Sete pancadas’ era o espaço que servia para as reuniões, onde atualmente está a Loja Calçados Juventude.

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Origem
A idéia de fundar o clube nasceu desses encontros e do interesse demonstrado em congregar pessoas negras em torno de uma instituição que valorizasse as origens, a cultura e os costumes por meio de atividades recreativas direcionadas às famílias e aos jovens que não dispunham de um local apropriado para o convívio social.

Quase 20 anos se passaram para que a construção de sua sede concretizasse. Grande era a dificuldade financeira, pois os envolvidos eram pessoas de poucos recursos e dependiam da própria mão-de-obra para o serviço. Conta-se que as dificuldades eram tantas que, para a fabricação das tábuas, as toras de pinheiro eram transportadas da Fazenda de Guataçara Borba Carneiro, que se dispôs, à época, em colaborar com os idealistas – para uma serraria no Pinheiro Seco, trazidas em carroções puxados por bois para serem desdobradas.

O trabalho de transporte de toras, bem como seu desdobramento em madeiras, foi idealizado e conduzido por um grupo que teve à frente José Ribeiro Pinto, popularmente conhecido como ‘Zé Biné’, tronco da tradicional família Ribeiro, dos conhecidos Jaime Braz e Aírton ‘Capa’ e suas irmãs Marina, Helena e Heloísa. Também tiveram atuação destacada os saudosos Praxedes de Oliveira Santos, Sezefredo Novaes Taques, Canitar Campos, João Taques Martins (‘João Bigode’), Antônio Telles Machado (‘Tico’) e Elias Monteiro Lopes, todos presentes na história do Estrela da Manhã. Como reconhecimento à sua liderança, ‘Zé Biné’ foi eleito o primeiro presidente do Clube.

Inauguração
A sede foi inaugurada com grandioso baile no dia 25 de setembro de 1950 com uma missa às 9 horas em intenção às almas dos sócios falecidos e, ao meio-dia, houve churrascada no local então conhecido como ‘Taperinha’ – imediações do Passo das Tropas. Às 20h30 foi realizada a cerimônia de inauguração e posse da diretoria tendo à frente o presidente José Ribeiro Pinto (‘Zé Biné’), José Milton Santos como secretário, Pedro de Camargo como tesoureiro, Dário Arpelau como segundo tesoureiro, Jaime Braz Ribeiro como orador e o Edmundo Mercer Júnior como presidente de honra. Estava formalmente concluída e realizada a primeira associação destinada a congregar a sociedade negra de Tibagi.

Na segunda metade da década de 60 o prédio do Estrela foi reformado em alvenaria, na gestão do presidente Antônio Barbosa mais conhecido como ‘Antônio Padeiro’.

Nova fase
Interessados em reviver os tempos de glória de uma instituição que se tornou histórica pela sua importância e indispensável pelo seu valor social, um grupo de associados resolveu constituir a Comissão de Reforma dos Estatutos, tendo à frente o associado Neri Aparecido de Assunção. Verificou-se, desde logo, a necessidade de algumas alterações, inclusive em suas finalidades, a fim de não somente reconhecer a importância cultural da instituição na comunidade, mas também possibilitar meios de angariar apoios e recursos para o seu reerguimento.

À denominação –e portanto, às finalidades– acrescentou-se o adjetivo ‘Cultural’, posto que sempre difundiu cultura, transpondo, com suas atividades as meras atividades recreativas, circunscritas ao grupo de associados. Nova era se inicia, conforme Assunção, “com esperança e fé no futuro, numa homenagem aos esforços de tantos que iniciaram tão histórico empreendimento”. Cabe à atual e às próximas gerações a responsabilidade de manter vivo o espírito empreendedor daqueles que antecederam.

Preocupada em dotar o Estrela com um Estatuto moderno, coerente com o novo regramento legal e que preservasse a sua história e, ao mesmo tempo apontasse os caminhos do futuro, a atual diretoria trabalha coletivamente e integrando Conselho Fiscal e associados com a certeza de que ele é marco inicial da nova fase do Estrela, na busca da construção de um espaço cada vez melhor de convivência fraterna e de cidadania, explica Assunção. Desta forma, resolveu-se denominar Clube Recreativo e Cultural Estrela da Manhã.

Depois de anos sem atividades, a estrutura ficou em estado precário. Grupo de amigos formado por ex-sócios e ex-presidentes resolveu reformar o clube dentro de normas de estrutura de engenharia. Hoje, o Estrela possui CNPJ e toda a documentação regularizada. O atual presidente do Clube Estrela é Álvaro Barboza de Souza.

Primeiro Presidente: José Ribeiro Pinto – ‘Zé Biné’
Nasceu em Tibagi a 02 de fevereiro de 1893, filho de Etelvina Ribeiro e Benedito Mariano Ribeiro Pinto. Aprendeu a ler e escrever provavelmente com José da Cruz Machado, que era o único professor da cidade nessa época. Desde muito jovem trabalhou nos mais variados afazeres puxando madeira em carro de boi nas serrarias para Ponta Grossa, quer ajudando ‘Toca Mercer’ na  confecção  de  estradas, ou  reunindo  gado e fazendo cercas de arame nas fazendas de Saturnino  Marques em Castro.

Durante a chamada ‘Era do Diamante’, trabalhou também como garimpeiro que era a febre contagiosa da época. Com grupo de amigos ajudou a construir a sede do Clube Estrela da Manhã, onde foi o primeiro presidente.

Mas Zé Biné era empreendedor e ao ver que o diamante não lhe aparecia na medida desejada, quando foi instalada a Fábrica de Papel Klabin, lá se foi trabalhar até se aposentar.

Casou-se em 1915 com Alfredina Barbosa ‘Nhá Alfreda’ (06/06/1898-13/06/1983) e desse matrimônio nasceram: Marina, Maria José, Maria de Lourdes, Inês, Cláudio, Ismael, Jaime Braz, José Sideney, Edison da Conceição, Maria Tereza e Maria Eloisa. Zé Biné morreu em 16 de dezembro de 1956, aos 63 anos.

Museu guarda memória do Estrela
Em parceria com o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior, toda semana no site da Prefeitura de Tibagi (www.tibagi.pr.gov.br) são postadas histórias, fatos e acontecimentos que marcaram época em Tibagi. Sobre o Clube Estrela da Manhã, há imagens e documentos no acervo que relatam sua história.

O Museu está aberto à visitação de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Aos sábados e domingos, o acervo está à disposição das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas.

 

 

 

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