Ponta Grossa - Paraná
A Princesa dos Campos Gerais
Cidade de Vila Velha
 Ponta Grossa, quarta--feira 10 de fevereiro de 2010






 

 

Tibagianos trocam experiências com
Sambadores e Sambadeiras da Bahia
Emanoelle Wisnievski – Assessoria
Fotos: Christian Camargo



Um círculo de pessoas, atabaques, pandeiros, cavaquinhos, violão e repique: ingredientes de um ritual que preserva mais de 500 anos de história da cultura afro no Brasil. Essa gente que cantou e dançou em Tibagi veio de longe para conhecer o samba rural daqui e apresentar o samba de roda de lá. Da cidade litorânea de Saubara, no Recôncavo Baiano, 20 componentes do grupo Samba das Raparigas partiram com destino ao Sul do Brasil na sexta-feira (5) num projeto de intercâmbio patrocinado pelo Ministério da Cultura. Eles fazem parte da Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia e escolheram o Carnaval centenário nos Campos Gerais do Paraná para mostrar que há um ritmo  nacional, reconhecido e reproduzido em todos os cantos do Brasil.

“É minha primeira vez em Tibagi e me encantei com o local. A terra aqui é fértil e o pessoal muito acolhedor. Adorei e vou levar uma lembrança muito grande para lá”, disse o pescador de camarão Raimundo de Jesus Silva, um dos músicos que desde a infância brinca de roda de samba. Luciana Barreto, secretária da Associação dos Sambadores, conta que 75 grupos estão cadastrados e que o Samba das Raparigas fez sua primeira viagem para fora do Estado.

“Está tudo maravilhoso, todos estão aprendendo muito. Fomos bem acolhidos, todos se integraram facilmente em torno desse Patrimônio Imaterial da Humanidade que é o samba”, descreveu. “Mas os sambadores daqui ainda precisam aprender mais um pouquinho”, brinca o já experiente Raimundo.

Aprender mais um pouquinho é o mínimo que fez Moacir José Machado, mestre de bateria da Escola de Samba 18 de Março há 17 anos. “Esse contato é uma oportunidade incrível. Ver como eles fazem do samba uma atividade quase que diária, a expressão de seus costumes, de sua cultura”, avaliou. Idelfonso Santos Moreira, sambador da Bahia, disse que “o ritmo daqui é diferente, mas que tudo é samba”. Para ele, “foi o maior prazer estar numa cidade maravilhosa, com o pessoal todinho amigo”. E completa: “fui tratado muito bem, eu e minha turma”.

Antonio das Virgens também destacou o prazer imenso proporcionado pelo intercâmbio. “Estamos sendo muito bem recebidos e acredito que estamos agradando”, gracejou o pescador que tem 50 anos de roda. “O samba nosso é sempre diferente porque não pode existir igual nas cidades”, acrescentou.

Mariana Moreira do Rosário, recepcionada em Tibagi, conta que o samba de roda vem dos antepassados. “Antigamente, no tempo da escravidão, não deixavam os negros se divertirem. Então nos barracões faziam esse samba entre raparigas e moços”. Joseli Moreira da Silva não poupou declarações de amor ao ritmo. “O samba para mim é um grande movimento, adoro o samba. Nasci no samba, me criei no samba, tenho 75 anos, continuo sambando!”

O grupo foi recepcionado pela coordenadora Cultural Marilene Serenato Ambrosio, que os levou até o barracão do Provopar, onde acontece a confecção de fantasias do Carnaval. “Eles fizeram uma roda ali mesmo, as baianas vestiram-se com os trajes das nossas porta-bandeiras e tivemos uma linda demonstração da cultura que deu início ao nosso Carnaval. Afinal foram os baianos que na década de 1930 reforçaram as manifestações de Momo aqui em Tibagi”, lembra.

O Samba das Raparigas conheceu pontos turísticos do município, como o Recanto do Marins, com cachoeiras, e o Atiart, Associação Tibagiana de Artesanato. “Sexta-feira eles já participaram do Baile à Fantasia do Clube Estrela da Manhã. Sábado à tarde, integrantes de escolas de samba tiveram um bate-papo com os visitantes e à noite eles fizeram ainda uma apresentação especial sob a tenda, durante o Circuito do Samba com Grito de Carnaval”, diz Marilene.

A viagem para o Sul foi custeada através de projeto de intercâmbio do Ministério da Cultura. “Eles se inscreveram no MinC e foram contemplados com essa viagem até Curitiba, onde foram recepcionados pelo Centro Cultural Humaitá. O Candieiro [Adegmar José da Silva Candieiro], coordenador do Festival Paranaense de Samba, que este ano será realizado aqui em Tibagi, se encarregou de convidá-los para visitar nossos talentos”, explica a coordenadora Cultural. O grupo permaneceu em Tibagi até domingo (7).


 



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